Bolsonaro não aprova a reforma da Previdência sem os governadores

Um dos destaques da semana política que passou foi o estresse vivido pelos governadores em torno do projeto de reforma da Previdência apresentado ao Congresso Nacional pelo presidente Jair Bolsonaro.

Como o projeto vinha recebendo muitas críticas dos governadores, especialmente os do Nordeste e do Norte, o Palácio do Planalto cogitou excluir os Estados da reforma previdenciária.

Foi aí que a porca torceu o rabo, pois os governadores precisam mais dessa reforma do que o presidente.

Aproveitando, no entanto, o teatro dos governadores nordestinos, o governador de Brasília, Ibaneis Rocha (MDB), redigiu uma ‘Carta dos Governadores’ com ataques ao projeto do governo e ao Congresso.

Aí a porca torceu o rabo outra vez. Os governadores do Nordeste refugaram o texto de Ibaneis, por entenderem que ele carregou nas tintas.

Os governadores nordestinos alegaram que não concordam com o repúdio aos parlamentares que votarão a reforma e decidiram escrever sua própria carta sobre a questão.

Pontos de conflito

A nova carta, assinada pelo governador Wellington Dias e os outros oito governadores do Nordeste, é direcionada à Presidência da República.

No documento, intitulado “Há um só Brasil que é de todos os brasileiros”, os governadores reconhecem a necessidade de reformas da Previdência, tributária e política.

Eles destacam, no entanto, que “há divergências em pontos específicos a serem revistos, como nos casos do Benefício de Prestação Continuada e da aposentadoria dos trabalhadores rurais que, especialmente no Nordeste, precisam de maior atenção e proteção do setor público”.

Para os governadores, “também são pontos controversos na reforma ora em pauta a desconstitucionalização da Previdência, que acarretará em muitas incertezas para o trabalhador, e o sistema de capitalização, cuja experiência em outros países não é exitosa.”

Radicalismos

Na carta, os governadores também criticam a polarização política exacerbada e dizem que “as energias devem ser canalizadas para o escrutínio das divergências e o aperfeiçoamento das ações, de modo que todos sejam beneficiados, evitando-se a armadilha do divisionismo que tem acirrado os ânimos e paralisado a nação”.

Estes são, portanto, os pontos da ‘Carta dos Governadores do Nordeste’. Eles reiteram posições já tomadas em outros momentos, mas fazem aceno para um diálogo com o governo Bolsonaro em torno da reforma da Previdência.

A posição deles é perfeitamente compreensível e também consequente, pois, como já foi dito, os governadores precisam mais da reforma previdenciária do que o presidente da República.

Dessa forma, o consenso deve ser buscado. É uma questão é matemática, já que o governo não aprova a reforma sem o apoio dos governadores.

(A coluna deixa de ser atualizada nas próximas duas semanas em virtude de férias do titular)

CIDADE VERDE

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