Cidade do Piauí com 30 mil habitantes deve receber lote da Sputnik, vacina aprovada com rigorosas restrições

Uma única cidade do Piauí, com pelo menos 30 mil habitantes, deve receber o primeiro lote da vacina Sputnik V, imunizante contra a Covid-19 aprovado na sexta-feira (04/06), com condicionantes, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Com essa estratégia, a ideia dos governadores do Consórcio Nordeste é de reproduzir, em cada um de seus estados, o experimento realizado na cidade de Serrana, em São Paulo, pelo Instituto Butantan, que avaliou a eficácia da CoronaVac.

O Piauí possui pelo menos sete municípios com população igual ou superior a 30 mil, conforme estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizada no ano de 2020 (Veja abaixo). Portanto, se encaixam nesse critério e são potenciais cidades a receber o imunizante russo.

  1. Luís Correia: 30.4 mil habitantes
  2. Miguel Alves: 33.8 mil habitantes
  3. São Raimundo Nonato: 34.8 mil habitantes
  4. Oeiras: 37 mil habitantes
  5. Pedro II: 38.7 mil habitantes
  6. José de Freitas: 39.3 mil habitantes
  7. Esperantina: 39.8 mil habitantes
Sputnik V (Foto: Reprodução)

Até o momento, o Governo do Estado não tem previsão para chegada das 64 mil doses em território piauiense. Segundo informações apuradas pela reportagem do OitoMeia, a ausência de uma data específica se dá porque o contrato assinado entre os estados do Nordeste e o Fundo Russo de Investimento, responsável pelo desenvolvimento da vacina, deve sofrer alterações.

Essas alterações visam atender as determinações da agência reguladora. Uma reunião nesta terça-feira (08/06) entre governadores e o Fundo deverá definir o cronograma de entrega.

ENTENDA PONTO A PONTO DA DECISÃO DA ANVISA

  • AUTORIZAÇÃO PARA IMPORTAÇÃO  

A Anvisa autorizou a importação excepcional e temporária de doses da Sputnik V para o Piauí, Bahia, Maranhão, Sergipe, Ceará, Pernambuco. Ou seja, a decisão não configura autorização de uso emergencial e apenas esses estados podem fazer o uso da vacina, exclusivamente, para lotes específicos.

A administração do imunizante terá que ser interrompida caso a Anvisa negue o pedido de uso emergencial, pois a agência precisa ela própria atestar sua eficácia, qualidade e segurança.

  • PESOU A FAVOR: EFEITOS COLATERAIS LEVE E ENTREGA DE DOCUMENTOS 

A favor da importação da Sputnik V pesou o fato de que a vacina deixa efeitos colaterais considerados leves como febre e dor no local da aplicação. Informações positivas adquiridas pela própria Anvisa junto de alguns dos 62 países, que já aprovaram o imunizante, também foram levados em conta, assim como entrega de documentos pelos governadores e autoridades russas, então pendentes na última solicitação agência.

Com Sputnik, presidente da Argentina, Alberto Fernández, foi o 1º a se vacinar na América Latina (Foto: Reprodução/ Exame)
  • ANVISA IMPÔS CONDICIONANTES A SPUTNIK 

Ao autorizar a importação da vacina, entretanto, a Anvisa salientou que o imunizante “não tem avaliação” da agência quanto a qualidade, eficácia e segurança. Em outras palavras, a reguladora não garantiu que Sputnik V tenha qualidade, seja eficaz e segura dentro dos parâmetros exigidos pelo Brasil.

Dessa forma, a aprovação veio junto de uma série de restrições quanto ao seu uso no país. Essas restrições a Anvisa chamou de condicionantes. Por exemplo, a Sputnik não poderá ser aplicada em grávidas, lactantes, menores de 18, mulheres em idade fértil ou pessoas que tenham recebido outra vacina contra Covid-19. (Veja abaixo os demais grupos).

A Anvisa também atribuiu aos estados a obrigação de “distribuir e utilizar a vacina em condições controladas com condução de estudo de efetividade (estudo de vida real que ateste a proteção da vacina), com delineamento acordado com a Anvisa e executado conforme boas práticas clínicas”. Assim, as vacinas só poderão ser aplicadas em locais onde seja possível monitorar e tratar reações adversas.

Sputnik V (Foto: Reprodução)

QUEM NÃO PODE PODE USAR A SPUTNIK?

  • Quem tem hipersensibilidade a qualquer dos componentes da fórmula;
  • menores de 18 anos;
  • grávidas, lactantes, mulheres em idade fértil que desejam engravidar nos próximos 12 meses;
  • pessoas que tenham enfermidades graves ou não controladas (cardiovascular, respiratória, gastrointestinal, neurológica, insuficiência hepática, insuficiência renal, patologias endócrinas) e antecedentes de anafilaxia;
  • pessoas que tenham recebido outra vacina contra a covid-19;
  • pessoas que apresentem febre, tenham HIV, hepatite B ou C;
  • pessoas que tenham se vacinado nas quatro semanas anteriores;
  • pessoas que tenham recebido imunoglobulinas ou hemoderivados três meses antes, tenham recebido tratamentos com imunossupressores, citotóxicos, quimioterapia ou radiação nos últimos 36 meses e que tenham recebido terapias com biológicos incluindo anticorpos anticitocinase outros anticorpos.

 

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