Em Picos, ‘Projeto Viva o Semiárido’ ensina técnicas promissoras de manejo, plantio e criação de animais para a região

No semiárido piauense cerca de 80% das famílias que residem no campo, encontraram na criação do gado, sua principal fonte de subsistência e comercialização desse animal de grande porte, como a carne, o couro, o leite dentre outras partes componentes. Prática antiga e inadequada para a realidade da região de clima seco e quente.

 Em contrapartida ao que almeja a cultura constituinte da pecuária no sertão, existem alguns métodos de convivência no território semiárido, ainda pouco conhecido e explorado pelo homem.

Conforme a implantação de políticas de “Combate a Seca” foi enraizada no sertão nordestino, caracterizando no conhecimento populacional, que o semiárido é um lugar de difícil convivência onde a pobreza opera em torno do estado piauiense”. Segundo o engenheiro agrônomo e um dos integrantes da equipe de coordenação do Projeto Viva o Semiárido da cidade de Picos, Antônio José Costa de Oliveira, explica os entornos para o convívio com o semiárido.

“Antigamente se falava muito em “Combate a Seca” achava-se que os governantes tinham que tomar medidas para este combate. A partir dos anos de 1993/1994, observou-se outro meio de vivermos no semiárido, passando então, para as práticas de convivência com o Semiárido porque a seca em nossa região, sempre existiu e sempre vai existir o que é natural devido ao clima que não modifica. Então por meio dessa observação foi modificada essa questão de combate para convivência, sendo melhor, mais prático, mais humano estar vivendo a partir daquilo que a gente possui, aproveitando nosso clima, nossas plantas e animais para poder vivermos melhor” conclui Antônio em entrevista ao Portal Piauí em Foco.

Com a elaboração dos métodos de convivência, Antônio José, que na ocasião destacou os principais pontos considerados adequados para a realidade do clima da região, bem como para os produtores rurais que ainda utilizam de práticas antigas e descontextualizadas com o sertão nordestino.

“A maneira correta que temos de conviver em nossa região é primeiro, plantar aqui o que corresponde a realidade do nosso clima, a gente sabe que a chuva é pouco. No semiárido chove entre 400 e 600 milímetros por ano, 800 quando o inverno é bom, portanto, deve-se cultivar plantas que precisam de pouca água, também criar animais que consumam pouca água ou seja, animais de pequeno porte como ovinos, caprinos e a galinha caipira. O gado, animal de grande porte, consome por dia 50 litros de água. Uma das principais técnicas é o armazenamento de água das chuvas com a construção das barragens subterrâneas, cisternas de enxurrada, de calçadão, cisterna para o consumo humano nas nossas casa tanto para famílias do campo como para quem mora na cidade” ressalto o engenheiro agrônomo.

O aposentado, Manoel Cícero Veloso, de 88 anos, reside a 61anos na localidade Samambaia, zona rural do munícipio de Picos e relatou que desde a infância e mesmo com dificuldades em tempos de estiagem, cultiva a criação de gado em sua propriedade de roça.

“Em tempos de estiagem pego água na barragem de Malhada Grande, as vezes que falta nela, pago uma taxa e compro pelos fornecedores da Agespisa ou então vejo se algum amigo tem. É difícil manter  criação mas vou tentando. Antigamente quando não tinha ração própria para o gado era muito mais difícil a criação. Hoje em dia com a venda das rações, ficou melhor para alimentar os animais. Mas o pior problema que já enfrentei foi pela questão de conseguir água e a comida porque não possuo outras formas de armazenamento, principalmente de aguá. Já perdi muitas cabeças, antes eu tinha mais de 30, hoje tenho apenas 18,” afirma o aposentado.

Ainda segundo Manoel, que na oportunidade, apontou como as diversidades oriundas do clima da região, estimados em um tempo seco e quente em maior proporção ao longo do ano, estimou em relação ao criadouro de animais de pequeno porte, serem mais propícios e garantem um menor custo em comparação com a criação de gado.

“Além do boi, tenho bodes e galinhas. É muito diferente, mais barato e fácil de criar porque estes não precisam de tanta água nem comida a perda também é menor. Mas devido a minha criação, sempre teve gado na família, então continuei criando e quando ficava difícil dava       um jeito de manter eles vivos. Depois comecei com a criação dos outros animais e percebi que é dififerente” diz.

Durante a entrevista, Antônio José, esclarece ainda, em torno das práticas de convivência com o semiárido, o viés que retoma o funcionamento das políticas públicas em meio as problemáticas que constituem os métodos de subsistência no semiárido onde na oportunidade, informa que até hoje o que ainda possuem dessas técnicas, são projetos ou programas, recursos ainda limitados e que ainda não se tornaram politicas publicas.

“ Há muito tempo, entidades como a ASA (Articulação do Semiárido Brasileiro) a Caritas e o próprio governo do estado, tem trabalhado com esses programas ou projetos que não são permanentes. O nosso desejo é um dia essas técnicas se tornem políticas públicas efetivas do estado, para alcançar mais pessoas porque o que temos ainda não é suficiente.  O nosso projeto, Viva o Semiárido tem durabilidade de sete anos, em 2020, ele já encerra. Mas é uma grande ajuda do Governo do Estado para os homens e mulheres do campo, porque está “quebrando aquele paradigma  do sofrimento, do combate a seca.O projeto está trazendo uma nova ideologia para o nosso semiárido” frisou.

O coordenador do projeto lembra ainda que a utilização dos carros pipas, técnica muito antiga e utilizada até hoje, é um meio de custo alto, além de apresentar recursos limitados que não suprem as necessidades de toda comunidade rural. Além disso, caracteriza-se na dependência por parte da população e um viés obrigatório da parte do sistema governamental.

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