Novo golpe promete emprego na Fundação de Saúde com salário de R$ 7 mil

A Polícia Civil investiga mais um caso de estelionato em Teresina. Um homem, identificado como José Evangelista da Silva Lima, teria conseguido dinheiro de cerca de 200 pessoas com a promessa de conseguir um emprego para elas na Fundação Municipal de Saúde (FMS), com salário de R$ 7 mil.

Desempregadas, as vítimas pagavam entre R$ 1.500 e R$ 3 mil para que ele conseguisse as vagas. Segundo a investigação, os supostos golpes começaram a acontecer em 2008. Em muitos dos casos, ele ofereceu o cargo de motorista do Programa Mais Saúde, Mais Vida, que nunca existiu na prefeitura.

As vítimas chegavam a assinar um contrato com José Evangelista e entregavam a ele os documentos que seriam necessários para o cargo. Uma das vítimas, que não quis se identificar, informou que além de pagar os R$ 1.500, ela também teria que pagar R$ 350 por mês, quando começasse a trabalhar.

“O desespero é tão grande que a gente nem pensa duas vezes, já vai aceitando. E conversa bonita ele tem”, diz a vítima, que está desempregada há dois anos. Ela chegou a fazer um exame de admissão.

O pai dela também assinou contrato com o suspeito de estelionato. A ocupação do cargo se daria em dezembro do ano passado. Os negócios eram fechados em uma casa, no bairro Pirajá, zona Norte de Teresina. Lá, um outro homem recebia toda a documentação e disse para as vítimas que ele mesmo comprou seis vagas de emprego na prefeitura. O dinheiro, entretanto, era entregue diretamente para João Evangelista.

Quando perceberam que não seriam chamados, pai e filha começaram a pressionar o suspeito por mensagens de WhatsApp. Como o emprego não aconteceria, eles acordaram de terem o dinheiro de volta. Em algumas mensagens, Evangelista promete a devolução até o final do mês ou até sexta-feira e sempre dizia coisas como “ladrão que vai roubar alguém não dá recibo, não” ou “amigo, nunca me sujei nem por muito dinheiro, imagina por pouco”. Mas até o momento, nenhuma quantia foi devolvida.

Investigação

Há queixas contra José Evangelista em pelo menos três delegacias: no 2º, no 7º e no 12º Distritos Policiais. Só no 2º DP, que é na Primavera, zona Norte, são nove denúncias. “Ele não é funcionário da prefeitura, ele enganou as vítimas, não tem como conseguir os empregos e foi indiciado aqui”, comentou o delegado Carlos André.

No 7º DP são mais de 20 denúncias e o delegado Menandro Pedro acredita que o suspeito tenha feito cerca de 200 vítimas no total.

No 12° DP, o delegado Ademar Canabrava conta que algumas vítimas chegaram a pagar R$ 3 mil pela vaga e que vai pedir a prisão preventiva do suspeito. De lá, três inquéritos já foram concluídos e encaminhados para o Ministério Público.

“A pessoa leva o currículo até ele, depois ele diz que deu entrada e que o emprego vai sair. Depois ele cobra da pessoa entre R$ 1,5 mil, R$ 2 mil, até R$ 3 mil que ele diz que é para pagar taxas”, explica Canabrava, que está concluindo o quarto inquérito.

A repórter Gorete Santos, da TV Cidade Verde, foi até o local onde os negócios eram fechados, mas ninguém apareceu. O telefone do local dá sinal de desligado. José Evangelista atendeu o telefone, mas negou gravar entrevista pessoalmente. Ele nega todas as acusações. Veja a entrevista:

Gorete: Senhor José Evangelista, o senhor trabalha prestando algum serviço para a prefeitura de Teresina?
Suspeito: “Não, não”

Gorete: Com agregação de cargos, não?
Suspeito: “Não, não. Não trabalho com isso, não”.

Gorete: O senhor nunca agregou nenhum cargo, nem recebeu dinheiro de pessoas, supostamente para trabalhar na prefeitura?
Suspeito: “Não, não. Mesmo porque lá não tem esse tipo de serviço”.

Gorete: O senhor nunca trocou mensagens de texto com essas pessoas por telefone?
Suspeito: “Já troquei com várias pessoas, mas tem que ter provas concretas de que eu levei documentos lá. Qual foi o documento que eu levei de prefeitura, de governo do Estado? Como é que você vai dar um golpe e dá os documentos pessoais, endereço e tudo mais?”

Gorete: Então o senhor não prometeu nem emprego nem a devolução do dinheiro?

Suspeito: “Não, mesmo porque emprego hoje só é concursado. Nem eu tem emprego, como é que vou prometer para os outros?”

A polícia está de posse de muitos documentos, inclusive recibos entregues pelas vítimas, há muitos prints de conversas pelo WhatsApp. Há muitos indícios. Dois processos já estão na justiça.

A FMS emitiu nota afirmando que não existe o Programa Mais Saúde, Mais Vida não existe na Prefeitura de Teresina. O nome desse programa constava em um dos recibos supostamente assinados por José Evangelista a uma das vítimas. A FMS também reforça que qualquer emprego no órgão só é possível através de concurso público.

Fonte: Cidade Verde

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