Programa pretende levar água potável a mais de 27 mil famílias do semiárido

Até 2017, as crianças e adultos da comunidade Espírito Santo, no município de Campo Alegre do Fidalgo, semiárido piauiense, viviam adoecendo. As crianças sempre com diarreias e os adultos com problemas renais e pressão alta. O motivo era a ingestão de água salobra ou salina, coletada de poços tubulares, única alternativa do líquido, até então, para os moradores da região.

Mas a implantação do Programa Água Doce, naquele ano, mudou a vida do povoado. Por meio do processo de dessalinização da água, crianças e adultos passaram a ter uma vida melhor. Consumindo apenas água potável, alunos não faltam mais às aulas por estarem doentes e adultos não precisam mais ir a hospitais para tratar de cálculos renais ou tomar medicamentos para pressão alta, doenças provocados pela ingestão da água salgada.

Segundo o Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural do Piauí (Emater), 30% da água disponível no subsolo do semiárido piauiense é salobra, inadequada para o consumo humano. Cerca de 150 mil pessoas no Piauí vivem nessas regiões em que a água do subterrâneo apresenta essas características.

Como funciona a dessalinização

O sistema funciona assim: a água é captada por meio de poço tubular e passa por um tratamento, a chamada dessalinização. Em um dos recipientes do sistema, fica a água potável, pronta para beber. No outro fica a água com resíduos sólidos, os dejetos.

A água de qualidade, então, é distribuída à população, por meio de um sistema automático em que cada família tem acesso a exatamente 20 litros de água por dia, que é a quantidade de água distribuída necessária para as necessidades dos moradores de uma residência. “O usuário não pode nem coletar mais de 20 litros e nem menos, evitando o desperdício e também impedindo que a família leve menos água do que precisa”, explica Genésio Pascoal, morador local e responsável pela manutenção do sistema na comunidade Espírito Santo.

Essa água tratada sai direto da torneira do chafariz para os vasilhames, sem passar por qualquer manuseio, o que faz com que sua qualidade seja mantida. Nas residências, essa água é utilizada para banhar bebês, na alimentação e para matar a sede. Já para demais atividades, como banho de adultos, descarga no banheiro ou lavar louças, os moradores mantêm o uso da água salobra.

O professor Avelar Araújo, morador da comunidade Espírito Santo, conta que o programa Água Doce, além de levar mais qualidade de vida às comunidades, também conscientiza sobre o meio ambiente. “Os técnicos do Emater vieram antes para conversar com todos e orientar para não desperdiçar esse líquido tão importante. Hoje, ninguém aqui na região reclama mais da água”, diz Araújo.

Ele lembra que, quando as cisternas das residências recebiam água dos carros-pipas, algumas famílias consumiam todo o produto em apenas dois meses, e em outras casas a água só acabava em seis meses. “Ou seja, havia mau uso da água, desperdício. Hoje, a operação carro-pipa não existe mais aqui, mas ninguém sente falta”, comemora o professor.

Fonte:CCOM

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