Covid-19: Mais de 1,1 mil profissionais de saúde no Piauí foram infectados; 2 óbitos foram registrados

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O Piauí tem 1.155 mil casos confirmados de coronavírus em profissionais de saúde desde o início da pandemia no país. Destes, 152 são médicos e 253 são servidores da enfermagem. No entanto, a lista também inclui agentes de saúde fisioterapeutas, psicólogos, farmacêuticos, biomédicos, assistentes sociais e condutores de ambulância. Os dados foram repassados ao OitoMeia pelo Conselho Estadual de Saúde do Piauí (CES-PI), na manhã desta quarta-feira (10/06).

Pelo o que se tem conhecimento, dois profissionais da área foram a óbito por conta do novo coronavírus: Olívia Cruz, que morreu no dia 02 de junho, e Solange Nazaré, que morreu dia 19 de maio.

O presidente do CES e membro do Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública do Piauí (COE/COVID-19), João Cabral, analisou que o alto índice de profissionais da saúde infectados pela Covid-19 está relacionado à qualidade e quantidade dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e a exposição dos servidores em longas rotinas de trabalho. Uma vez que um profissional foi infectado, ele é afastado do cargo. Em algumas unidades, isso gera sobrecarga de trabalho para aqueles que não foram atingidos pelo vírus.

Na última sexta-feira (05), o presidente do Sindicato dos Médicos do Piauí divulgou um vídeo em que mostra os EPIs recebidos pelos profissionais da saúde em Teresina. Ele aponta que o equipamentos não são permeáveis, se rasgam facilmente e classifica o material de proteção para os médicos como de “baixa qualidade”. Veja:

“PROFISSIONAIS FICAM O DIA INTEIRO COM UMA MÁSCARA”

João Cabral que está à frente de diversas fiscalizações em hospitais do Piauí, revelou que existem unidades onde servidores fazem o uso de uma única máscara durante todo o expediente (basicamente, durante todo o dia), quando o equipamento deveria ser trocado várias vezes. “Será que temos EPIs suficientes para fazerem essas trocas?”, questiona. A resposta é que as condições não são as mesmas em todos os hospitais do Piauí. Outra variante para exposição dos profissionais ao coronavírus, é que existem servidores que atuam em mais de uma unidade. Assim, podem acabar levando o vírus de um lugar para o outro.

“[Essa contaminação] pode ser por conta de vários fatores, como a qualidade de EPIs. Se esses EPIs não tiverem uma qualidade boa, se não for trocada várias vezes por dia. Será que temos EPIs suficientes para fazerem essas trocas? Há hospitais em que as pessoas passam o dia com a máscara que deveria ser trocada várias vezes por dia. Outra é o manuseio dos EPIs. O tempo de exposição ao vírus. Existe uma carga horária excessiva dos profissionais de saúde. A medida em que os profissionais vão adoecendo vão se afastando e sobrecarregando quem fica se não houver novas contratações”, explicou. 

A direita o presidente do CES- PI, João Cabral (Foto: Reprodução)

PROFISSIONAIS COBRAM ADICIONAL DE INSALUBRIDADE

Na quarta-feira (09), servidores do Hospital Regional Chagas Rodrigues, em Piripiri, divulgaram um comunicado em que afirma que deixam de cumprir plantões da enfermaria, Pronto Socorro e Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da ala Covid. A paralisação que começa a partir da quinta-feira (10/06) é um protesto pela reivindicação do adicional de insalubridade no valor de 40%. Atualmente, a unidade atende 16 pacientes internados.

Destes, 12 estão na enfermaria e outros 4 estão na UTI, de acordo com o boletim divulgado na última terça-feira (09).

Veja o comunicado na íntegra:

Foto: Reprodução

A situação não é exclusiva no Hospital Regional Chagas Rodrigues. Profissionais da Saúde em Teresina marcaram uma “paralisação de advertência” para a próxima quinta (11) e farão uma manifestação em frente à sede do Sistema de Atendimento Móvel (Samu). Neste caso, porém, o diretor de comunicação do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserm), Joaquim Monteiro, descartou a possibilidade de uma greve e informou que o ato deve durar 2h. Monteiro pontuou que existiria responsabilidade sobre a categoria cruzar os braços, totalmente, no atual cenário do sistema de Saúde.

Manifestação de profissionais da Saúde (Foto: Divulgação

O OUTRO LADO

Questionada pelo OitoMeia sobre a paralisação dos profissionais ligados ao Hospital Regional Chagas Rodrigues, a Secretaria de Saúde do Piauí (Sesapi) informou que o percentual de insalubridade é verificado caso a caso, de acordo com o grau de risco da função e o ambiente de trabalho, variando de 5% a 20%. Os valores obedecem a um teto, conforme orientação do Tribunal de Contas do Estado, por meio do Acórdão n. 2504/15.

A Sesapi também pontuou que Governo do Estado está trabalhando em uma solução para a questão da insalubridade. Os salários estão pagos até abril e a Sesapi está aguardando a folha de pagamento dos hospitais para repasse dos salários até a próxima sexta-feira.

Sobre as críticas pelo presidente do Simepi, Samuel Rego, a Prefeitura de Teresina respondeu que a Fundação Municipal de Saúde (FMS) garante que todos os EPIs adquiridos pela Fundação e entregues aos profissionais da rede municipal possuem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e esclarece que embora haja alta demanda por EPIs no mundo, em decorrência da pandemia do Coronavírus, tem garantido esse material nos serviços de saúde e orientado para o seu uso racional, pois trata-se de um recurso finito e essencial para ofertar segurança aos servidores durante a assistência ao paciente.

oito meia

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