Crise da Covid-19 afeta mais mulheres que homens, diz pesquisadora

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A pesquisadora e médica Flávia Beltrão comenta os estudos que apontam o maior impacto dos efeitos da crise climática, que ora se apresenta com a pandemia da Covid-19 e a questão de gênero: as mulheres sofrem maior impacto social e financeiro que os homens.

Beltrão cita que a pesquisa acontece no mundo inteiro e a ONU, recentemente, lançou um relatório mostrando como a crise do coronavírus impacta desproporcionalmente homens e mulheres. Esse impacto também é refletido economicamente. “Infelizmente, mais de 70% da população que vive abaixo da linha de pobreza no mundo inteiro é composta por meninas e mulheres; apenas 30% são homens e meninos”, diz a médica.

“Essas mulheres geralmente estão no trabalho informal, com muito menos oportunidade de trabalhar online. Geralmente, a renda delas dependem de estarem no espaço público, por exemplo os casos das catadoras, recicladoras, horticultoras, ceramistas. São pessoas que tem a renda associada a estar no espaço público. Uma vez que há o isolamento (social) essas mulheres têm a renda comprometida”.

A pesquisadora destaca que esse caso é particularmente mais grave na América Latina “porque mais de 54% da população trabalhando em trabalhos informais. Um terço é trabalhadora doméstica. O Brasil tem a maior população de empregadas domésticas do mundo: são sete bilhões, essas são junto com os trabalhadores de saúde as mais impactadas pela pandemia”.

Beltrão ressalta uma “série de questões que precisam a começar a se pensar em sociedade”. O estudo aponta primeiro para uma necessidade de chamar a atenção desse problema e para valorização do trabalho dessas pessoas. Existe uma sensibilização desde o começo da pandemia acontece nas redes sociais sobre você não demitir a sua diarista, mas manter o pagamento delas se for possível. Existe outras formas de você também contribuir: é possível fazer doações”.

Beltrão comenta que “Teresina se mostrou um povo muito solidário com muitas doações e transferências de renda para essas mulheres. Tem a campanha ‘Recicladoras do Futuro’, por exemplo, que está no Instagram”.

A pesquisadora cona que, de certa forma, a pandemia ajudou a olhar as políticas públicas de modo diferenciado, de como as políticas públicas devem ser observada de maneira diferente para homens e mulheres. Ela reforça a questão dos profissionais de saúde. “70% dos profissionais de saúde são mulheres, 85% das  enfermeiras são mulheres, 85% dos profissionais que cuidam de idosos são mulheres. A gente fala o tempo todo dos grupos de riscos. Então,  a gente tem que olhar também para quem está cuidando desses grupos de riscos. Quem cuida das cuidadoras?. Devemos ter sempre esse olhar para saber como a gente pode pensar as políticas públicas, a partir dessa perspectiva”.

“É importante a gente sempre observar esses dados por desagregadores de gênero: olhar a média dos homens e a média das mulheres para entender como podemos melhorar esse cenário”.

 

Carlienne Carpaso
carliene@cidadeverde.com

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