Estudante de Medicina acusado de pedofilia está em “destino desconhecido” e só vai voltar quando “esquecerem” o assunto

A Polícia precisa prender urgentemente Marcos Vitor Dantas Aguiar Pereira, 22 anos, que não está mais no Brasil e, com auxílio de parte de sua família, teria ido para o exterior, em destino não revelado. Só quem estaria sabendo seria a sua mãe.

Marcos Vitor está em local desconhecido e mães das vítimas querem sua prisão (Foto: Reprodução redes sociais)

Marcos Vitor é o estudante de Medicina acusado de pedofilia e de ter abusado sexualmente das próprias irmãs e primas. E o pedido para que seja preso logo tem sido feito pela ex-madrasta e pela tia, mães das vítimas do “monstro pedófilo”, como é chamado por elas.

Fotos de como pode estar o acusado para que quem o encontra, denuncie à Polícia (Foto: Reprodução redes sociais)

O OitoMeia conversou com Priscila Karine, tia e mãe de uma das vítimas de Marcos Vitor, após ela postar em suas redes sociais que um dos familiares por parte do estudante teria dito a ela e às demais mães de vítimas dele: “Ele não está foragido. Ele foi fazer um curso no exterior e quando esquecerem o que aconteceu ele volta”.

A LUTA DE UMA MÃE

A revolta de Priscila, de sua irmã, a ex-madrasta, e de outras mães de vítimas só aumentou. Elas têm tratado do assunto com advogados e a Polícia, que investiga o caso através da Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente (DPCA). A delegada Camila Miranda não tem dado entrevistas sobre o assunto. Mas uma fonte garante que há um pedido de prisão expedido, já que o acusado não foi encontrado.

Priscila Karine falou ao OitoMeia sobre a sua luta. Uma mãe que luta por justiça e que, incansavelmente, tem postado em suas redes sociais apelos para que prendam Marcos. Ela falou sobre ter muito mais apoio do que críticas, que existem. Pessoas que a chamam de “doida” por expor a dor de sua filha, de uma família inteira. E relatou que praticamente salvou a vida de sua filha.

“Teve quem me chamasse de doida, que deveria me interna em uma clínica psiquiátrica por fazer toda essa repercussão. Queriam que eu ficasse quieta. Dizem que não vai dar em nada. Foi a vez que fiquei mais baqueada… Mas eu não parei. Fiz tudo (a denúncia e as postagens exibindo o caso) sozinha. Chegaram a pedir para eu não denunciar. Mas eu não me importei. Só com a minha filha. Eu fui ao shopping, decidi denunciar e postar. Depois disso, minha filha repostou, curtiu, comentou… Eu percebi que fiz a coisa correta. Ela voltou a sair mais do quarto, voltou a conversar. Decidi que não podia mais parar. Foi aí que todos decidiram apoiar e os novos casos apareceram”, afirmou Priscila ao OitoMeia.

Priscila Karine e sua luta: uma mãe que clama por Justiça e que salvou a vida da filha (Foto: Reprodução redes sociais)

SALVOU A VIDA DA PRÓPRIA FILHA

Esqueça quem critica Priscila. Ela e a irmã têm recebido muito mais apoios. E de todo o Brasil. Até porque, em revelação feita ao portal, Priscila salvou a vida da filha, que hoje tem 13 anos. Segundo ela, teve acesso a uma conversa da adolescente com uma amiga. E ela falava em tentar se matar devido ao turbilhão de emoções que passava. Após se engajar para tentar prender Marcos, Priscila não apenas passou a lutar por Justiça, mas se tornou, ainda mais, o maior ponto de apoio da sua filha. E, quem sabe, se tornou um dos maiores exemplos na luta contra homens, pessoas que cometem crimes de abuso sexual e pedofilia. Estudos comprovam: a maioria dos casos acontecem dentro de casa e envolvem parentes.

Neste final de semana vários veículos de comunicação do país inteiro repercutiram a luta por justiça das mães das vítimas. No jornal O Globo, um dos mais lidos nacionalmente, por exemplo, o título das matérias divulgadas falavam em “um monstro dentro de casa”. A madrasta, que foi identificada apenas com as iniciais P. L., disse que desconfiava de Marcos já há muito tempo convivendo com ele e seu pai dentro da mesma casa. E fez uma revelação que deixou muita gente chocada, no que diz respeito ao comportamento do rapaz, que usava da fama de “bom moço” para abusar das irmãs e primas durante as viagens em família.

“Uma vez um Instagram de medicina postou uma foto de um bebê com um tumor na região sacral. Aí, ele veio me perguntar se eu tinha a foto original porque naquela estava a parte dos genitais. Ele queria ver as partes das crianças. Eu não tinha prestado atenção de jeito nenhum porque era um tumor tão grande que você nem reparava no resto. Eu pensei: meu Deus, será que esse menino é pedófilo? Eu não sabia de nada, mas aquilo ficou na minha cabeça”. Essa revelação abriu a reportagem de O Globo, que seguiu narrando sobre o assunto: “Ela o conheceu ainda com 8 anos e passou a conviver na mesma casa com o garoto quando ele tinha 11 e se casou com o pai dele. No fim do mês passado, depois de mais de uma década de convívio, a família descobriu que Marcos Vitor, uma criança tímida e um adolescente pacato, abusou de quatro crianças, duas delas suas irmãs de 3 e 9 anos”.

Caso virou destaque em alguns dos principais veículos de comunicação do Brasil (Foto: Reprodução)

EM LOCAL DESCONHECIDO E “ABRIU MÃO DO INTERROGATÓRIO”

Indiciado por estupro de vulnerável, o estudante de medicina está em local desconhecido e, segundo o seu advogado de defesa, Eduardo Faustino Lima Sá, ele não está foragido e apenas abriu mão do “direito ao interrogatório”. Algo que é bastante criticado pelas mães das vítimas. “Volte para de Direito. Não existe essa opção. Ele é criminoso, com endereço sabido pelas autoridades. Logo é foragido. O único direito que ele tem é de ficar calado no interrogatório, não o de não comparecer”, reclamou em post nas redes sociais.

O perfil no Instagram @oficialnfa, especializado em mobilizações e busca por Justiça, postou o caso neste domingo, dia 10, quando foi comemorado o Dia Nacional da Luta Contra a Violência à Mulher. Mostrou algumas das entrevistas concedidas por Priscila, onde ela fala sobre como ninguém da família percebia como ele agia. E assim vem sendo, cada vez mais Priscila, que teve a coragem de expor todo o caso, vai ganhando apoio da imprensa e das pessoas por sua luta.

“Se as mães soubessem que as crianças sentem vergonha… ela (filha) morria de vergonha. Achava que era culpada. Mas o culpado é ele. E a dor de você gostar do agressor é muito estranho. Ser alguém q você viu crescer. Uma pessoa que você amou, como sobrinho, e do nada destruiu toda a sua realidade. Hoje eu só quero que ele (Marcos) pague. Até para xingar, eu não consigo. Não consigo dizer o nome dele… minha irmã xingava demais, até pedi para ela maneirar. Na verdade, nós não conseguimos entender o porquê disso. Eu já aceitei que eu não tenho que entender. Ele pensa diferente de pessoas normais, não tem sentimento, remorso, consciência… nada”, pontuou Priscila.

oito miea

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